No Brasil, os primeiros oratórios chegaram com os portugueses em suas caravelas. Seu uso era devocional e litúrgico, pois eram usados em orações individuais, bem como em rituais católicos como casamentos, batizados, novenas e outros. Nas casas, era comum que as famílias tivessem algum oratório: ora nas alcovas, ora nas salas ou salões. Era onde as pessoas faziam suas orações de agradecimento ou pedidos em uma relação pessoal com o santo de sua devoção. Nas grandes fazendas, havia quase sempre uma ermida e um oratório onde se realizavam as cerimonias e rituais católicos, já que o isolamento pela distância, dificultava a participação naquelas que eram realizadas nas capelas dos distritos ou matriz de sua freguesia.

Por aqueles que viajavam longas distâncias eram usados os oratórios itinerantes, de viagem ou de algibeira. Assim eram chamados os oratórios produzidos em forma de caixa para proteger de perigo de danos e perdas a imagem dos santos.

A origem do costume dos oratórios remete à Idade Média quando capelas foram construídas para os soberanos fazerem suas orações. O costume passou para as famílias abastadas e, em seguida, foi popularizado. Entretanto, podemos notar que o costume de relacionar-se de maneira pessoal com os santos de devoção pedindo proteção e ajuda nos problemas da vida, era comum, também, entre os gregos e romanos. As famílias possuíam um altar em suas casas onde cultuavam os espíritos domésticos chamados lares e dos antepassados chamados penates.

Na exposição Oratórios, a religiosidade no Cotidiano apresentamos oratórios da coleção do Museu Regional de São João del Rei. Na primeira parte alguns exemplares em destaque pela peculiaridade de suas características e em seguida outros exemplares do acervo. Essa é uma pequena mostra da coleção  da instituição que pode ser conferida no site e, presencialmente, na reabertura do museu.

ORATÓRIOS ITINERANTES OU DE VIAGEM

No Brasil do século XVIII e XIX havia grandes deslocamentos com o objetivo de transportar mercadorias e a Província de Minas Gerais era um dos principais pontos a serem alcançados devido ao seu desenvolvimento com a descoberta do ouro. Nessas jornadas, viajantes e tropeiros levavam consigo oratórios específicos, que hoje denominamos de viagem ou itinerantes, os quais eram de tamanhos menores e feitos de forma a proteger a imagem do santo de devoção para que não se danificasse ou se perdesse.

Apresentamos dois desses tipos: um mais rústico indica que foi produzido por alguém devoto com o intuito de utilizá-lo em orações particulares; o outro chamado de “bala” por causa de seu formato em forma de bala de cartucheira, provavelmente utilizado por tropeiros em suas viagens comerciais.

O primeiro, datável do século XVIII, apresenta características do barroco, com ornatos típicos do estilo desenvolvido na região de Minas Gerais. Sua estrutura em forma de caixa facilitava o manuseio nas viagens.

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O outro, chamado de oratório bala, expõe a imagem de Santo Antônio. Embora de feitio popular, com o tempo, também despertou o gosto estético dos artistas e artesãos, pois há exemplares eruditos de artistas, tais como, Francisco Vieira Servas. O exemplar do MRSJDR é datável do século XIX, com decoração inspirada no rococó, porém com interpretação mais popular, com os concheados, linguetas e a palmeta.

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ORATÓRIOS LAPINHA

Tipicamente mineiros, estruturam-se quase sempre em dois planos ou pavimentos: ao alto a cena do calvário e embaixo a cena do presépio. Dessa forma, poderiam ser usados em diferentes ocasiões festivas como o Natal e a Paixão de Cristo. Por essa funcionalidade eram também chamados de maquinetas. A imitação das grutas e a confecção em calcita – delicado minério encontrado em lapas de Minas Gerais – justificam a denominação “lapinha”.

Nosso Oratório Lapinha, datado do século XVIII, possui características do estilo D. Pedro I, ornamentado com “rosinhas de malabar” tipicamente desenvolvida na região de Minas Gerais.  No seu interior ao centro temos a imagem de Santana Mestra com a Virgem Menina ao seu lado. À direita de Santana temos a representação de São Joaquim e à esquerda a de Santo Antônio que segura em seu braço o Menino Jesus. No alto ao centro temos a representação do Cristo Crucificado, e a sua direita São José de Botas segurando outro Menino Jesus. Apesar de representar o calvário a peça não possui a representação da natividade, como é de costume dessa estruturação.

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ORATÓRIOS ERMIDAS

Pequena capela, assim denominado o Oratório Ermida. Tradicional peça de devoção nas comunidades rurais onde a construção de capelas levava muito tempo. O oratório de uso comunitário era também usado para realização de batizados, casamentos, rezas e missas em intenção de almas.

O grande oratório é de meados do século XVIII, com 273cm de altura, 55cm de largura e profundidade 126cm. Produzido em Minas Gerais utilizando técnicas de douramento, entalhe, fundição e policromia, em materiais como folha de ouro, madeira, metal e tinta.

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DEVOÇÃO E ARTE EM MINAS GERAIS

Por Lucas Rodrigues

Nas palavras do poeta e pesquisador do barroco mineiro Affonso Ávila, a história de Minas Gerais têm seu início com a entrada das bandeiras no território aurífero. Junto aos aventureiros em busca das riquezas da terra, um pequeno e delicado objeto de fé os acompanhava: o oratório. Artefato da fé e devoção do povo mineiro, o oratório doméstico figura como um elemento indissociável da moradia urbana e rural.

A história do objeto é longa e nos chega pelo ultramar através de Portugal. O historiador Lucas Rodrigues, pesquisador de arte sacra mineira, se aprofunda um pouco mais nas origens destes objetos religiosos.

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CRÉDITOS

Planejamento e execução:
ANA MARIA NOGUEIRA OLIVEIRA
BRENDA GUERRA
ELIANE MARCHEZINI ZANATTA
ISABELA CASTRO
JÉSSICA BENTO
JOÃO VICTOR VILAS BOAS MILITANI
MARIA DE FÁTIMA LOUREIRO VASCONCELOS
MARLON DE OLIVEIRA GOUVEA

Colaboração:
LUCAS RODRIGUES

Realização: