GENTE DAS VERTENTES

Benedito Reis de Almeida, o Mestre Quati

Relembre a história do guardião do carnaval de rua em São João del-Rei

publicado: 12/04/2021 14h42, última modificação: 12/05/2021 15h29

A rua cheia de cores, charangas e bonecos saltitantes é cenário interligado à vida de Benedito Reis de Almeida, o Mestre Quati. Nasceu em 6 de janeiro de 1934 e desde jovem tem nas mãos a arte de confeccionar alegorias e bonecos gigantes para o Carnaval da cidade. 

As lembranças dos antigos Zé Pereira’s e a vasta experiência carnavalesca o levou a colorir incontáveis folias na cidade, uma tradição que faz parte da lembrança de tantos foliões e blocos que São João del-Rei acolheu ao longo dos anos.

O ofício de Benedito vem da infância, na época de Sr. Agnelo, que trabalhava com mármore e foi guiando-se aos passos de Oswaldo Tintureiro, responsável pelos bonecos da época. Frequentador assíduo da folia de Momo, em épocas de Bloco Cordão de Ouro, Rancho Lua Nova, Custa Mais Vai, Prazer da Morena e tantos outros, produziu bonecos para o Bloco dos Caveiras, Bloco dos Cabeções e claro, para seu próprio bloco intitulado Recordar é Viver

No começo, os bonecos de Quati eram feitos de jornal e grude, que desmanchavam com a chegada da chuva. Posteriormente, a espuma, os tecidos e a madeira passaram a compor a estrutura dos gigantes e coloridos bonecos cujo peso ultrapassa a marca dos 25kg. Apesar disso, foliões ansiavam pela honra em carregá-los, desfilando com graciosidade e leveza inesquecíveis pelas ruas da cidade.

Benedito passou pela Banda Teodoro de Faria, foi pedreiro, sineiro, pintor de paredes e jogador de futebol – onde surgiu a origem do apelido. Nos tempos de ponta esquerda, o pequeno e ágil jogador corria tanto que passou a ser comparado ao bichinho quati e desde então passou a ser conhecido assim.

Símbolo de resistência, tinha como lema a grande responsabilidade de manter forte a tradição dos marcantes carnavais são joanenses, numa vida inteira de dedicação e multiplicação da atmosfera festiva a qual nos orgulhamos tanto. 

Dedicou-se na produção de mais de 30 bonecos, além de incontáveis alegorias, adereços, cabeções, bois e tantos desfiles ao longo de sua jornada carnavalesca. Carregava no semblante a leveza e a tranquilidade de alguém que tinha no peito a essência do carnaval de verdade.

Não bebia, não fumava, seu vício era a energia das ruas e a inocência alegre que pairava pelo ar nos dias de folia. Deixou para nós o legado de uma vida simples, alegre e criativa, assim como os enredos que embalaram a multidão por décadas. Jurou que enquanto estivesse aqui, manteria a tradição dos carnavais de rua que fariam de São João del-Rei forte concorrente das grandes capitais.

O guardião do Carnaval são joanense agora faz festa no céu, deixou-nos em 9 de março de 2020, embora sua paixão e presença única reverberam em cada folião e rua da cidade, 365 dias ao ano, para além da Quarta-feira de Cinzas.

Referências:

São João Del Rei Transparente

Observatório da Cultura

G1 Tv Globo

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